TERRITORIALIZAÇÃO INDUSTRIAL DO EIXO CASCAVEL/FOZ DO IGUAÇU-PR

TERRITORIALIZAÇÃO INDUSTRIAL DO EIXO CASCAVEL/FOZ DO IGUAÇU-PR

 

DONEL, Martinho Batista[1].

 

 UNIGUAÇU-FAESI - Faculdade de Ensino Superior de São Miguel do Iguaçu

Pós-Graduação em Geografia - Geografia, Meio Ambiente e Sociedade.

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RESUMO:

O presente trabalho é elaborado a partir de perspectivas territoriais e de produção de espaço. Neste contexto, caracteriza-se uma abordagem relativa às indústrias instaladas às margens da rodovia BR 277 no eixo que liga Cascavel a Foz do Iguaçu. Em meio à globalização e conseqüentemente ao avanço das tecnologias, o setor industrial evoluiu de forma acelerada. No caso deste estudo, averigua-se a importância da rodovia BR 277 para estas indústrias. O oeste do Paraná conta com dois importantes pólos econômicos, respectivamente, Cascavel e Foz do Iguaçu. Sendo a primeira, com maior importância nas especialidades médicas em geral e a segunda, no setor do turismo e comércio. Neste sentido, nosso estudo abordará essas importâncias paralelamente com a importância estratégica da rodovia que liga esses dois pólos.

 

PALAVRAS CHAVE: espaço; oeste do Paraná; globalização; eixo, indústrias; tecnologias; BR 277.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


1. INTRODUÇÃO

 

O presente projeto de pesquisa consiste em aprofundar os estudos em dinâmicas territoriais do qual se caracteriza seu objeto de estudo sobre eixos, tratando-se de uma abordagem feita a partir de um complexo de indústrias que surgiram ao longo da rodovia BR 277 no eixo Cascavel/Foz do Iguaçu. Nesta perspectiva verifica- se que a região oeste do Paraná consiste num dos mais importantes pólos industriais do Estado.  

Através de levantamento histórico da região tendo como enfoque analisar uma das características que envolvem os objetivos desta pesquisa será buscar saber, antes mesmo de abranger a territorialização industrial do tema, como se deu o processo de formação e implantação das indústrias ao longo do eixo em estudo. É importante delimitar e evidenciar características que possam vir a contribuir para o desenvolvimento da pesquisa.

Sendo assim buscaremos chegar a nosso objeto de estudo que destacará justamente uma evolução das trilhas, rodovias e eixos, paralelamente ao setor industrial, chegando a essa temática que é o eixo Cascavel / Foz do Iguaçu.

Em meio a características das indústrias se observará questões paralelas à sua territorialização propriamente dita. No decorrer desta temática serão abordados assuntos de cunho de produção de espaço, fluxos e redes, eixo de ligação entre dois importantes pólos da região oeste paranaense que são respectivamente Cascavel e Foz do Iguaçu. Também serão destacadas as principais características referentes a estas duas maiores cidades do eixo em estudo.

 

2. OBJETIVOS:

 

2.1. Objetivo Geral:

  • Entender todo o processo de formação e territorialização das indústrias que se instalaram em torno da BR 277 no eixo que liga Cascavel / Foz do Iguaçu-PR.

 

2.2. Objetivos específicos:

  • Identificar a importância da BR 277 para a industrialização no eixo Cascavel Foz do Iguaçu – PR;
  • Conhecer os fatores predominantes na definição da localização das indústrias;
  • Realizar levantamento dos parques industriais e linhas de produção, localizadas ao longo do eixo Cascavel / Foz do Iguaçu – PR;
  • Registrar os principais grupos de indústrias localizadas ao longo do eixo Cascavel / Foz do Iguaçu –
  • Caracterizar as principais indústrias localizadas no eixo;
  • Elaborar mapas da territorialização das indústrias no eixo.

 

3. JUSTIFICATIVA

 

Propõe-se a pesquisa tendo como objeto de estudo a territorialização da indústria entre os municípios de Cascavel e Foz do Iguaçu – PR (Eixo Cascavel/Foz). Busca-se identificar o papel da BR-277 no eixo Cascavel / Foz do Iguaçu enquanto agente de impulsão econômica através do escoamento de produtos.

Assim, a partir de investigações empíricas, percebe-se que a rodovia BR-277 é de fundamental importância para as indústrias, por estar localizada em ponto estratégico, próxima a tríplice fronteira: Brasil Paraguai e Argentina e também próxima ao Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu.

Neste contexto, a principal justificativa para elaboração deste projeto de pesquisa, é justamente poder dar continuidade a este trabalho para verificar a real importância da rodovia BR-277 no desenvolvimento industrial e territorial desta região do extremo oeste do Estado do Paraná.

Atualmente, devido ao avanço da tecnologia e também das necessidades impostas pelo próprio setor econômico que está cada vez mais competitivo é necessário que haja planejamento e formas de se manter no mercado. Então um dos fatores primordiais é estar próximo de pontos estratégicos como é o caso da BR-277, eixo Cascavel – Foz do Iguaçu que inclusive, faz a ligação direta com o Paraguai e Argentina.

Devido às relações fronteiriças entre Brasil, Argentina e Paraguai, foi criado o Território Federal do Iguaçu e a política da Marcha para o Oeste. (GRÉGORY, 2002, p. 91). Como o Estado do Paraná não queria ver seu território dividido, comprometeu-se a estabelecer políticas de ocupação brasileira da parte oeste do Estado. A partir disso foi criado o Programa Rodoviário Marcha para o Oeste com o objetivo de desenvolver a região e, consequentemente, seu processo de colonização.

Feito isto, inicia-se um processo de desenvolvimento de rodovias caracterizando os eixos de ligação. Uma das rodovias mais importantes deste programa foi a BR–35, mais tarde denominada BR-277 (GRÉGORY, 2002, p.91). Rodovias estas, que ligariam ponta Grossa a Foz do Iguaçu passando por Prudentópolis, Guarapuava, Laranjeiras do Sul e Cascavel.

Sobre o processo de industrialização ao Longo do eixo Cascavel / Foz do Iguaçu, cresce de forma abrangente após a formação da rodovia, segundo Peris (2002), que admite a existência de três eixos industriais no Paraná. Sendo um eixo na região oeste, no trecho entre os municípios de Cascavel, Toledo, Marechal Cândido Rondon, Mercedes e Guaíra; o eixo Cascavel / Foz do Iguaçu, sendo os demais eixos industriais o eixo leste, que liga Ponta Grossa à região metropolitana de Curitiba e Paranaguá, e o eixo norte que liga Maringá a Londrina.

 Nesta perspectiva, cria-se uma relação entre espaço e território que será abordada ao longo desta temática. Então, buscaremos a viabilidade da execução deste projeto de pesquisa para poder estudar e entender os processos de formação territorial e industrial do Eixo Cascavel / Foz do Iguaçu PR.

 

 

4.  REFERENCIAL TEÓRICO

 

4.1. PROCESSO DE OCUPAÇÃO DO OESTE DO PARANÁ

 

 O oeste do Paraná está situado, de acordo com Wachovicz (1995, p.225), num território compreendido entre os rios Guarani, Iguaçu, Paraná e Piquiri. Destaca ainda, que essa região, da então Colônia Militar de Foz do Iguaçu ficou esquecida, ou seja, houve um desinteresse no seu processo de colonização durante praticamente todo o século XIX.

 Em meados desse século o Brasil assinou tratados de navegabilidade fluvial com a Argentina e com o Paraguai. Desta forma a região oeste do Paraná ficou mais exposta à penetração argentina.

Por volta de 1881, os argentinos começaram a explorar erva-mate na região de Missiones, não demorando a chegar ao oeste paranaense (WACHOWICZ, 1995, p.225-226). Para época, passou a caracterizar-se o Rio Paraná como principal meio de transporte, já que não havia trilhas, picadas e muito menos estradas.

 Houve uma relação entre os ciclos, começando pelo ciclo da erva-mate, na época considerada como contrabando, pois não havia nenhuma lei que a regulamentasse. A partir de então se evidencia que a primeira grande forma de escoação de produtos do oeste paranaense era a navegação através do Rio Paraná. Mais tarde começaram a ser abertas picadas em meio à mata densa.

Sobre a instalação da Colônia Militar em 1888 Wachowicz (1995) destaca que Foz do Iguaçu era um ponto de grande importância estratégica, pois a política adotada passou a ser o fortalecimento da então chamada Fronteira Guarani. Nesse sentido para (WACHOWICZ, 1995, p.226)

 

Belarmino Augusto de Mendonça Lobo foi o Capitão escolhido para fundar esta colônia. Guarapuava foi o centro de operações em virtude de ser o núcleo urbano mais próximo da região. Durante a derrubada da mata, ou seja, da trilha, em direção ao oeste, foram encontrados grupos de trabalhadores que exploravam a erva-mate. Eram índios paraguaios a serviço de ervateiros argentinos que predavam as riquezas brasileiras. Esse encontro se deu na região atual de Céu Azul.

 

Ainda, de acordo com Wachowicz (1995), a expedição chegou a Foz do Iguaçu no dia 22 de novembro de1889. A população encontrada na região estava composta por trezentas e vinte e quatro pessoas, na maioria paraguaios e argentinos, sendo os brasileiros, apenas nove e em 1905, a colônia de Foz do Iguaçu já era de aproximadamente mil habitantes.

No processo inicial de colonização do oeste paranaense já havia uma grande influência dos povos argentinos e paraguaios. Como é uma região de divisa, fronteira, esses territórios vizinhos já haviam sido ocupados. Consequentemente, até mesmo devido à mata fechada que existia na região do extremo oeste paranaense, os povos dos países vizinhos foram os primeiros a se inserirem no local.

 Não existiam em território brasileiro, pontos de venda ou de comércio. Então, os produtos consumidos pelas famílias ali existentes no momento eram provenientes da Argentina, principalmente os moradores de Foz do Iguaçu.

Por volta de 1919, segundo Wachowicz (1995), inicia-se um sistema de obrage, ou seja, uma forma de exploração de latifúndio desenvolvida no Paraguai e Argentina. Os obrageros exploravam a erva-mate e a madeira de forma ilegal em território brasileiro. Sendo assim o autor destaca:

 

Esse tipo de exploração penetrou no Estado do Paraná no final do século XIX com a frente extrativa da erva-mate procedente da Argentina. A partir de 1881, esta frente de extração já existia nas margens do rio Paraná, à montante de Foz do Iguaçu. Como no oeste paranaense não havia presença brasileira nem fiscalização, o sistema das obrages desenvolveu-se na região (p.227).

 

Wachowicz (1995) ainda destaca que na década de 1930 iniciou-se a decadência das exportações da erva-mate, pois a Argentina havia plantado muitos ervais. Então, eles não careciam mais do produto brasileiro, pois começaram a produzir para si. Consequentemente surge à exploração da madeira como nova perspectiva econômica.

O então governo de Getúlio Vargas, procurando resolver o problema da Fronteira Guarani, criou essa nova expressão. (WACHOWICZ, 1995, p. 238). Nesta perspectiva, começaram a surgir na região os primeiros resquícios de indústrias, sendo a mais importante a Indústria Madeireira Colonizadora Rio Paraná S.A. (Colonizadora Maripá).

Para Wachowicz (1995), a Colonizadora Maripá foi considerada a mais importante imobiliária do oeste paranaense. Ainda, contextualizando estas idéias a migração para o oeste paranaense de acordo com Zaar (2001, p.6), sucedeu-se principalmente a partir de dois objetivos centrais: 1- Nacionalizar a área que durante o século XIX e início do século XX esteve ocupada por empresas chamadas obrages[2]; 2- Priorizar a expansão das fronteiras agrícolas.

A partir de então se inicia o processo de colonização através das empresas colonizadoras, a maioria proveniente dos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Percebe-se aí, o porquê da maioria das pessoas que habitam a região oeste do Paraná são descendentes de alemães e italianos, devido à sua colonização proveniente do sul do Brasil, da qual sofreu muito antes sua ocupação por imigrantes europeus, principalmente alemães e italianos.

O Paraná teve seu processo de formação e industrialização desenvolvidas de forma lenta até meados da década de 1970. Um dos fatores que retardava esse crescimento era justamente a ausência dos eixos de ligação, as rodovias. Nesta época, o Estado do Paraná obtinha praticamente duas fontes de economia, que eram respectivamente a erva-mate, a madeira como e mais tarde o café. Para Trintim (2006, p.42) a madeira, era um dos empecilhos dentre os eixos de ligação, pois até meados do século XIX, principalmente o norte paranaense, era apenas uma área distante e composta por uma densa floresta, praticamente isolada da Capital do Estado.

 

4.2. CONTEXTUALIZAÇÃO ATUAL

 

 Como existia muita mata fechada, uma das alternativas era abrir picadas ou trilhas. Numa dessas trilhas foi nascendo o que hoje, é a atual BR 277.

 Seguindo o raciocínio de Trintin (2006), observa-se que essa economia impulsionou setor industrial. Esse processo se deu num contexto de integração ao mercado nacional sedimentando uma divisão do trabalho no espaço nacional fundamentada na complementaridade entre as regiões do país (p.75).

A contextualização do eixo em estudo de acordo com a colaboração de Peris (2002), que trabalha com esta questão, faz um trabalho com abordagens referentes à colonização e formação da região oeste do Estado do Paraná. Este autor faz uma referência a dois eixos importantes de desenvolvimento.  (PERIS, 2002 p.36), um eixo industrial no trecho entre os municípios de Cascavel, Toledo, Marechal Cândido Rondon, Mercedes e Guaíra (eixo A), e outro eixo entre Cascavel e Foz do Iguaçu (eixo B).

Ao fazer uma abordagem territorial no sentido de apresentar o crescimento do setor industrial no eixo de ligação Cascavel / Foz do Iguaçu e na relação que se faz da geografia com o cotidiano, menciona-se a idéia calcada na produção de espaço. É a partir dessa questão que Andrade (1984, p.16), ao estudar o espaço e sua produção, deve-se levar em consideração que o espaço produzido é o resultado da ação do homem transformando em função de suas necessidades.

A FIGURA I localiza os eixos rodoviários existentes no oeste do Paraná e suas ligações, enfocando primordialmente o eixo Cascavel / Foz do Iguaçu, caracterizado na cor vermelha por Peris (2003, p.93).

Andrade (1984) ainda destaca que essas transformações e produção de espaço, além de um caráter dinâmico, também podem ser interpretadas de forma eminentemente dialética[3]. Ainda, contextualizando as idéias de Andrade (1984), destaca-se que o território é organizado de determinadas formas e com determinados fins, ou seja, está num contínuo processo de metamorfose em suas formas materiais e sociais de utilização do território. Também menciona o jogo de interesses que ocorre nessas relações de poder existentes entre classes ou grupos sociais (ANDRADE, 1984, p.19).

 

 

 FIGURA I: EIXO CASCAVEL - FOZ DO IGUAÇU

             Fonte: Alfredo Fonseca e Antonio Carlos (2003, p.83.)

 

Por uma abordagem relacionada à formação territorial do eixo em estudo, perpassa uma perspectiva de crescimento das territorialidades contextualizadas na rede industrial ligada ao eixo. Sendo assim, Haesbaert (2002, p.81) em Territórios Alternativos destaca os sentidos das territorialidades onde o papel do espaço, hoje indissociável em suas perspectivas “natural” e “social” (grifos do autor), pode ser interpretado como espaço construído (rugosidades)[4] (2002,). O autor trata desta abordagem no sentido das espacialidades nas estratégias político-econômicas da modernidade. Segue ainda nesse contexto.

 

Embora de várias formas articuladas aos comandos gerais do aparelho político-econômico realizado praticamente à escala planetária, as linhas alternativas de ordenação do território parecem cada vez mais evidentes, afirmando, quem sabe, uma geografia efetivamente engajada com multiplicidade de significações e virtualidades reveladas pelas distintas escalas espaciais que constituem o momento contemporâneo da modernidade (HAESBAERT, 2002 p.83).

 

            Neste sentido, a formação territorial ordena-se de forma dinâmica, obedecendo às características contemporâneas, ou seja, segue uma relação espaço/tempo, pela qual se caracteriza sua produção.

             Ao abordar esta dinâmica verifica-se novamente, que se trata de um recorte espacial e temporal e de certa forma reticular e areal, como já vem sendo estudado ao longo da história. Seguindo esse raciocínio Spósito (2001) relata essa abordagem temporal na evolução das cidades e indústrias num contexto territorial, da qual se percebe a importância desse crescimento a partir da Revolução Industrial

            Tratando-se de um estudo do qual se aborda eminentemente a produção de espaço numa perspectiva territorial e de territorialização propriamente dita, concebe-se o território como uma “construção social, cuja processualidade acentua-se nas relações sociais que realizamos todos os dias” (SAQUET E SINHORINI, p.185). Nessa multidimensionalidade é importante destacar autores que tratam destas abordagens como, Claude Raffestin, Rogério Haesbaert, Eliseu Savério Spósito e Marcos Aurélio Saquet, no que se refere a território e produção de espaço, as redes, relações rurais e urbanas e de poder.  

            Ao trabalhar com produção de espaço e formação de território, pauta-se uma dinâmica conceitual e processual, ou seja, são relações e nomes que vão aparecendo ao longo desta abordagem. Neste sentido, menciona-se novamente a relação das redes e dos eixos. Num âmbito de desenvolvimento de complexos industriais cabe-nos destacar a existência destes elos de ligação. De acordo com (SAQUET, 2007 p75), Raffestin elabora uma explicação da realidade material:

 

Entendendo que o objeto de estudo da Geografia é formado pelas relações sociais, efetivadas entre sujeito e objeto, ou seja, as relações que se caracterizam no território e significam territorialidades. E é questionando e criticando que privilegiam o poder do Estado, na geografia política, que problematiza sua argumentação em favor da multidimensionalidade do poder, do território e da territorialidade, em vez de centrar sua abordagem no conceito de espaço.

 

Sobre a temática dos eixos e desenvolvimento industrial e sua territorialização caracterizam-se os fatores históricos até as atuais significações ganhando destaque as antigas trilhas formadas por colonizadores, estas, que muitas vezes acabaram se tornando algumas das atuais rodovias.

De acordo com estas idéias (PERIS 2002, p. 57), no que ser refere ao eixo Cascavel / Foz do Iguaçu destaca:

 

A BR 277, no trecho entre Foz do Iguaçu e Cascavel constitui-se num dos eixos mais dinâmicos da Região oeste do Paraná. Embora faça a ligação do nordeste da Argentina e do Paraguai, desde Assunção até o Porto de Paranaguá, faz parte de uma infra-estrutura de transportes em transformação.

 

A questão da Tríplice Fronteira que envolve respectivamente Brasil, Paraguai e Argentina neste complexo industrial caracterizado por Peris (2002) de eixo B, trecho da Rodovia BR 277, compreendido entre os municípios de Cascavel e Foz do Iguaçu, um dos principais fatores que influenciam esta região referente à indústria é o setor agrícola. 

Esta região do extremo oeste do Estado do Paraná é caracterizada por ser eminentemente agrícola, que é o principal fator econômico da região. Portanto, o setor industrial depende muito dessa modernização agrícola, tanto é que muitas indústrias são caracterizadas por serem indústrias agroindustriais. Sobre o eixo de desenvolvimento caracterizado entre estes dois pontos, respectivamente, Cascavel e Foz do Iguaçu, na caracterização das principais atividades econômicas de cada um destaca-se:

 

A região oeste do Paraná não é um espaço econômico onde há o predomínio de apenas um pólo. Em primeiro lugar, existem dois pólos regionais: Cascavel e Foz do Iguaçu. Esses pólos têm características muito distintas, embora ambos sejam essencialmente dois grandes centros de serviço da região. Foz do Iguaçu como predomínio da atividade turística e Cascavel, com a especialização de serviços médicos, educação, órgãos públicos e comércio. (PERIS 2002, p.54)

 

A importância que cada um tem em seus respectivos setores. Em relação à Foz do Iguaçu sobre a implementação da Itaipu Binacional, revolucionou o contexto regional e local a partir de sua construção.

De acordo com esta abordagem, há uma relação de poder neste sistema que envolve esse eixo de desenvolvimento e seu complexo industrial. Portanto, tratando-se de um pólo industrial inserido no eixo de ligação Cascavel / Foz do Iguaçu, destaca-se a relação existente entre ambas. (RAFFESTIN, 1993:1980, p.52) menciona: “O poder é parte intrínseca de toda relação, o poder está em todo lugar”.  Para Raffestin, (1993:80) no que se refere aos trunfos do poder:

O poder visa o controle e a dominação entre os homens sobre as coisas. Sendo assim, pode-se retomar a divisão tripartida em uso na geografia política: a população, o território e os recursos considerando o que foi dito sobre a natureza do poder, será fácil compreender por que colocamos a população em primeiro lugar: Simplesmente porque ela está na origem de todo o poder (p.58).

 

 A base do poder e suas relações com os diversos fatores, que envolvem uma sociedade atrelam-se a um sistema que também, por sua pluralidade, as redes de relações provenientes de uma sociedade, numa relação direta sobre o eixo de territorialização industrial compreendido entre os municípios de Cascavel e Foz do Iguaçu, que tem a BR 277 como seu elo principal de ligação.

 Segundo Shikida (2007, p.53), “as empresas que detém êxito são aquelas nas quais há um adequado balanço entre inovações no processo e também nas inovações em produtos”.

No eixo Cascavel / Foz do Iguaçu, a diferença é enorme. Portanto, é de fundamental importância, levar em consideração seu processo histórico que foi base para a implantação e evolução das atuais indústrias.

Abordagens referentes às inovações e as tecnologias também se atrelam às relações de espaço e tempo, e consequentemente de poder como menciona (RAFFESTIN, 1993, p.6):

 

O poder não é uma categoria espacial nenhuma categoria temporal, mas está presente em toda “produção” (grifo do autor) que se apóia no espaço e no tempo. O poder não é fácil de ser apresentado, mas é, contudo, decifrável. Falta-nos somente saber faze-lo, ou então poderíamos sempre reconhecê-lo.

 

De acordo com Raffestin (1993), o poder está inserido em toda relação onde existe produção apoiada a partir das relações de espaço e tempo, mas que não é essencialmente uma categoria espacial.

No setor competitivo industrial é uma realidade atual, a industrialização presente entre o eixo Cascavel / Foz do Iguaçu, utiliza-se de artimanhas que acabam sendo necessárias para sua manutenção, como os baixos salários de muitos de seus trabalhadores e o próprio acompanhamento das tecnologias.

Neste contexto,

 

A inovação pode se dar pelo emprego de uma tecnologia totalmente nova para a empresa e para o mercado, como também pela introdução de tecnologia utilizada em outro campo de atividade, porém nova no campo de atuação da empresa. As empresas que possuem habilidade para aproveitar a tecnologia disponível e dar-lhes novas aplicações podem, por esta característica, alcançar vantagens competitivas (DEITOS, 2002, p.35).

 

 

 Muito se fala em complexos industriais e talvez, nem tanto sobre eixos de ligação, estes que fazem parte fundamental de toda a evolução do processo de desenvolvimento industrial.

Ao analisarmos um processo de formação e de produção de espaço, aborda-se temáticas das quais mencionam-se características que vão além da industrialização de um determinado local, como por exemplo o setor de turismo ou atividades afins. De acordo com a contribuição de Souza (2007, p.44) que analisa as políticas de desenvolvimento regional em relação à questão do turismo na Costa Oeste do Estado do Paraná, destacando também os novos planos diretores dos municípios. A idéia é contribuir, de forma teórica, a partir de fatores que permeiam as perspectivas do eixo em estudo.

Sendo Cascavel o setor mais especializado em comércio e atendimentos médicos e Foz do Iguaçu, o setor do turismo, (SOUZA, 2007 p.45) destaca que o planejamento da região Costa Oeste do Estado do Paraná, situada às margens do Lago de Itaipu, apresenta o pressuposto de que a atividade política é mais uma das opções de promover o desenvolvimento.

 A dinâmica industrial do eixo paralela ao setor turístico atrela-se aos fatores de circulação e dos fluxos, recebendo o enfoque principal a BR-277 que faz o elo de ligação ao longo do eixo em estudo, além de Paraguai e Argentina.

Em relação à Rodovia BR-277,Foz do Iguaçu como uma região de fronteira (SOUZA, 2007, p.53) destaca:

 

Pela localização fronteiriça como o Paraguai e com a Argentina, Foz do Iguaçu possui uma dinâmica peculiar em relação ao movimento de pessoas, de mercadorias e serviços. Existem vária organizações políticas, econômicas, culturais, étnicas, religiosas e educacionais que estão representadas pelos três países. A oscilação do câmbio de moedas (dólar, real, guarani e peso), reflete-se diretamente na circulação que permeia essa região de fronteira. Disso, decorre a importância de estabelecer políticas que fortaleçam a integração desses povos.

 

 As indústrias territorializadas ao longo deste eixo são imprescindíveis para essas abrangências econômicas e até culturais, pois tudo faz parte de um sistema.

Como o território está em constante mudança e de forma caracterizada refererente ao setor industrial, que neste eixo em estudo também sofre uma forte influência do setor agrícola.

 

A modernização da agricultura tem sido uma expressão utilizada para indicar a incorporação de tecnologias ao processo produtivo. Nesse país, ela significa a utilização de máquinas, implementos mecânicos e insumos químicos, visando o aumento da produtividade para atender demandas geradas por um processo de crescimento urbano-industrial. Essa mantém o caráter excludente e concentrador do uso das terras e em alguns casos inclusive, o potencializa (SANTOS, 2008 p. 80).

 

Ainda sobre esta modernização agrícola, de acordo com SANTOS (1926-2001, p.54) o consumo produtivo tende a se expandir e a representar uma parcela importante das trocas entre os lugares da produção agrícola e as localidades urbanas.

Ainda sobre a modernização de acordo com Soja (1993).

 

Trata-se de um processo contínuo de reestruturação societária, periodicamente acelerada para produzir uma recomposição significativa do espaço-tempo-ser em suas formas concretas, uma mudança da natureza e da experiência da modernidade que decorre, primordialmente, da dinâmica histórica e geográfica dos modos de produção (p. 37).

 

Sobre as dinâmicas industriais, pontos estratégicos como acontece esse processo de transformação e neste contexto, o fator espaço/tempo, vem sendo uma das grandes características determinantes em vários setores da indústria. Trata-se de uma abordagem territorial e industrial e, portanto seus eixos de ligação, Spósito, (2004, p.44) destaca: “a indústria materializada na fábrica, ocupa áreas específicas na cidade, fazendo parte de uma paisagem urbana”.

Ao referirmo-nos sobre indústrias, eixos e rodovias, que, sob uma perspectiva de crescimento e formação de novos territórios, abrangência de espaço, se realça uma formação reticular neste contexto de ligação industrial e seus complexos.

Sendo assim, sobre redes, na tentativa de compreendê-las, Spósito, (2008, p.48) menciona que foram consideradas estrutura, escala, atores território e fluxos. Neste contexto, os fluxos são fatores eminentemente importantes para a relação industrial.

 

 

 

5. METODOLOGIA:

 

A metodologia utilizada para a realização do presente projeto de pesquisa irá se basear  em pesquisa bibliográfica juntamente com trabalho a campo para aprofundamento do tema com vistas a um resgate histórico e comparativo com o atual e no decorrer das análises identificar os fatores que remetem a importância da BR 277 no eixo Cascavel-Foz do Iguaçu.

Será realizada uma observação ao longo do eixo para identificar os principais grupos de indústria segundo sua função. Juntamente com as prefeituras de cascavel e de Foz do Iguaçu no departamento de indústria e comércio serão coletados os dados para entender as relações econômicas e industriais inseridas ao longo do eixo.

            Serão realizadas Entrevistas com os industriais para averiguar a importância da BR-277 e verificar os principais fatores que caracterizam a implantação das indústrias próximas à rodovia. Também serão representados espacialmente via mapeamento das indústrias ao longo do eixo estudado.

Os dados serão tabulados e analisados, apresentados em forma de tabelas, gráficos e mapas com suas devidas interpretações, servindo de base para a elaboração da dissertação sobre a temática pesquisada.

Neste sentido, buscaremos averiguar as relações existentes ao longo do complexo industrial no eixo em estudo.

 

 

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS:

           

Até o presente momento este estudo vinha sendo praticado como uma forma de ensaio. A partir dessas considerações passará a ter uma atenção especial, pois o objetivo do desenvolvimento deste trabalho é a elaboração da monografia, que trata-se de um requisito básico para a obtenção do grau de  especialista em Geografia, Meio Ambiente e Sociedade.

Sendo assim, essa abordagem terá uma continuidade para que possamos, conforme demonstrado no texto, elaborar uma pesquisa mais aprofundada, para poder averiguar realmente, quais são as reais importâncias das rodovias para a industrialização na atualidade.

Vimos, que até o presente momento, no caso desta pesquisa, que a rodovia BR 277, está apresentada como um ponto estratégico para a industrialização local. Um dos fatores é justamente por estar próxima a linha de fronteira e do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu. Neste contexto, iremos mais à fundo ao longo da elaboração da monografia para obter um eventual resultado para esta questão.

 

 

 

7. REFERÊNCIAS:

 

 

ANDRADE, Manoel Correia de. Poder político e produção de espaço. Recife: editora massangana. Fundação Joaquim Nabuco, 1984, 132p.

DEITOS, Maria Lúcia Melo de Souza. A gestão da tecnologia em pequenas e médias empresas: fatores limitantes e formas de superação. Cascavel: Edunioeste, 2002. 162p.

GREGORY, Valdir. Os eurobrasileiros e o espaço colonial: migração no oeste do Paraná, (1940-1970), Cascavel: Edunioeste, 2002, 266p.

HAESBAERT, Rogério – Territórios Alternativos. Niterói: Ed UFF, São Paulo: Contexto – 2002 186p.

PERIS, Alfredo Fonceca. Trilhas, rodovias e eixos: um estudo sobre o desenvolvimento regional. Cascavel: Edunioeste, 2002, 174p.

RAFFESTIN, Claude. Por Uma Geografia do Poder, Editora Ática S.A. São Paulo SP 1993, tradução: Maria Cecília França. Título original: Pour une géographie du pouvoir, LITEC, Paris, 1980.

SANTOS, Milton. A Urbanização Brasileira, 5ª ed. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005, 176p.

SANTOS, Roseli Alves dos – O Processo de Modernização da Agricultura no Sudoeste do Paraná –(Tese de doutorado) Programa de Pós Graduação em Geografia, Universidade Estadual Paulista “Julio Mesquita Filho”. Presidente Prudente, 2008.

SAQUET, Marcos e SINHORINI, José. Modernização da Agricultura: Territorialização, mudanças e dominação. Artigo - Terra@Plural, Ponta Grossa, 1(2); 183-197, jul/dez, 2008.

SAQUET, Marcos. Abordagens e concepções sobre território. 1ª ed, São Paulo: Expressão Popular, 2007. 200p.

SHIKIDA, Pery Francisco Assis. A agroindústria canavieira do Paraná pós-desregulamentação/Pery Francisco Assis Shikida e Darcy Jacob Rissardi Jr. – Cascavel: Coluna do Saber, 2007. 82p.

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[1] Aluno do Programa de Pós Graduação em Geografia Meio Ambiente e Sociedade, promovida pela Uniguaçu - Faesi e professor da rede municipal de São Miguel do Iguaçu - PR

[2] De acordo com Wachowicz (1995), obrage era um sistema de exploração de latifúndio desenvolvida no Paraguai e na Argentina e que, posteriormente penetrou no Estado no Paraná no final do século XIX.

[3] Ainda sobre este assunto, é interessante observar Andrade em: Geografia Econômica, 7 ed. São Paulo, Ed. Atlas, 1992, p.21-32.

[4] Para Milton Santos (1978, p.138), “as rugosidades são o espaço construído, o tempo histórico que se transformou em paisagem, incorporado ao espaço”, e, que, por testemunharem esse passado, não se transformou concomitantemente aos processos sociais, interferindo assim na sua dinâmica.