FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA DENTRO DE UMA PERSPECTIVA REFLEXIVA*

FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA DENTRO DE UMA PERSPECTIVA REFLEXIVA*

 

 

ADRIANA CONCEIÇÃO RIBEIRO**

PATRÍCIA KAMPAMM KAMMER**

JANICE LICIESKI SPANCESKI***

 

 

RESUMO

 

 

 

O professor é o principal agente da educação escolar na formação dos educandos, pois como mediador pode facilitar ou desestimular a aprendizagem.

A implantação do curso de Estudos Sociais em substituição às licenciaturas de geografia e história, formava professores com deficiências teóricas e práticas, que confundiam o objeto e o método de estudos das duas disciplinas, desvalorizando o saber geográfico.

Ensinar a disciplina de geografia envolve trabalhar simultaneamente as opções teórico-metodológicas, é necessário traçar o mapa da crise da formação docente desenvolvendo uma perspectiva teórica e prática para a formação inicial dos professores de Geografia e sua organização para a solução da mesma.

A melhoria da educação e do ensino da geografia deve ter como objetivo propiciar ao aluno da educação básica, a alfabetização geográfica e análise, reflexão e crítica do espaço geográfico. Os educandos devem compreender os conceitos geográficos valorizando-os, assim como o profissional da educação e para isso a formação inicial reflexiva do professor é de fundamental importância.

O trabalho docente constitui o exercício profissional do professor e este é o seu primeiro compromisso com a sociedade, sua responsabilidade é preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família, no trabalho, na vida social, cultural e política.

 

 

PALAVRAS CHAVES: Professores; Formação; Ensino de Geografia.

 

 

* Artigo científico apresentado à disciplina de Estágio Supervisionado em Geografia – Fase IV.

** Acadêmicas do 8º período de Geografia do Instituto de Ensino Superior (ISE), da Faculdade de Ensino de São Miguel do Iguaçu (Uniguaçu - Faesi).

*** Professora orientadora do trabalho.

 

ABSTRACT

 

 

The teacher is the main agent of the school education in the students' formation, because as a mediator he can facilitate or to discourage the learning.

The implantation of the Social Studies course in substitution to the geography and history degrees formed teachers with theoretical and practical deficiencies that confused the object and the method of studies of the two disciplines, depreciating the geographical knowledge.

Teaching geography discipline involves to work simultaneously the theoretical-methodological options, it is necessary to draw the educational formation’s map of crisis, developing a theoretical and practical perspective for the Geography teachers' initial formation and his/her organization for the solution.

The improvement of the education and of the teaching of the geography should have as its objective to propitiate to the student of the basic education, the geographical literacy and the analysis, reflection and critic of the geographical space. The students should understand the geographical concepts valuing them, as well as the professional of the education and for that the teacher's reflexive initial formation has fundamental importance.

The educational work constitutes the teacher's professional exercise and this is his/her first commitment with the society, his/her responsibility is to prepare the students to become active and participant citizens in the family, at work, in the social, cultural and politic life.

 

 

KEY WORDS: Teachers, Formation, Teaching Geography.

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

A necessidade de formar professores de geografia capacitados para atuarem nas escolas é de grande importância para a sociedade.

Para se tornar um bom professor é fundamental que primeiramente tenha paixão pela sua profissão, dinamizando, motivando e aprofundando-se sempre no conteúdo, ou seja, estar sempre se atualizando na disciplina e acompanhando as evoluções e transformações que ocorrem na sociedade, no mundo e na educação.

Manter respeito mútuo entre professor e aluno, é indispensável para uma boa aprendizagem, ter paciência e estar sempre pronta a ouvir o que os alunos têm a dizer, ou fazer comentários referentes ao conteúdo explicado, como também alguma curiosidade que o aluno venha a ter.

O professor de Geografia tem o dever de formar cidadãos críticos, que saibam ter suas próprias opiniões, defender seus direitos e conhecer seus deveres enquanto cidadãos. 

É através do empenho, da dedicação e da motivação tornando-se um profissional de referência que os alunos irão se espelhar, tendo a chance de mudar o destino de vários adolescentes e crianças.

Mudanças significativas na formação inicial, nos programas de ensino, nas políticas educacionais poderão levar a uma nova imagem desse profissional e da importância da Geografia para uma leitura e interpretação crítica do mundo.

 

 

Formação do Professor de Geografia

 

 

            O professor é o principal agente da educação escolar na formação dos educandos, pois como mediador pode facilitar ou desestimular a aprendizagem.

Ensinar a disciplina de geografia envolve trabalhar simultaneamente as opções teórico-metodológicas. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 5692/71) reformou o ensino conforme o modelo educacional norte americano, instituindo as licenciaturas curtas: Estudos Sociais, Letras e Ciências.

A implantação do curso de Estudos Sociais em substituição às licenciaturas de geografia e história, formava professores com deficiências teóricas e práticas, que confundiam o objeto e o método de estudos das duas disciplinas, desvalorizando o saber geográfico.

A partir da nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB 9394/96) e dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNS), a disciplina de geografia foi reconhecida como autônoma não devendo ser compreendida como um apêndice de outras disciplinas. (LIBÂNEO, 2002)

Então é necessário traçar o mapa da crise da formação docente desenvolvendo uma perspectiva teórica e prática para a formação inicial dos professores de Geografia e sua organização para a solução da mesma.

LIBÂNEO (2002, p.73) afirma que:

 

A busca de uma teoria mais abrangente para se pensar a formação profissional evitará a estabilização dos educadores em visões reducionistas. Considerará a reflexividade que se reporta à ação, mas não se confunde com a ação; a um saber-fazer, saber-agir impregnado de reflexividade, mas tendo seu suporte na atividade de aprendera profissão; a um pensar sobre a prática que não se restringe as situações imediatas e individuais; a uma postura política que não descarta a atividade instrumental.

 

A melhoria da educação e do ensino da geografia deve ter como objetivo propiciar ao aluno da educação básica, a alfabetização geográfica e análise, reflexão e crítica do espaço geográfico. Os educandos devem compreender os conceitos geográficos valorizando-os, assim como o profissional da educação e para isso a formação inicial reflexiva do professor é de fundamental importância.

Para LIBÂNEO (2002, p.76):

 

A escola é um dos lugares específicos do desenvolvimento da refletividade. Adquirir conhecimentos, aprender pensar, agir, desenvolver capacidades e competências, implica sempre a reflexividade. Mas, principalmente a escola é lugar da formação da razão crítica, para além da cultura reflexiva, que propicia a autonomia, autodeterminação, condição de luta pela emancipação intelectual e social.

 

            O docente tem o compromisso de ouvir os alunos, sistematizar as suas falas, criar e estimular as polêmicas e dúvidas, textualizar as dúvidas e conclusões elaboradas procurando sempre surpreendê-los, provocar surpresas que estimulem a paixão pelo aprender, pensar em novas formas de organizações de nosso espaço e de nossa sociedade que visem um mundo com mais justiça e pluralidade.

Segundo KAERCHER (2003) é a atividade conjunta do professor e dos alunos no qual transcorre o processo de transmissão e assimilação ativa dos conhecimentos, habilidades e hábitos, tendo em vista a instrução e a educação.

O trabalho docente constitui o exercício profissional do professor e este é o seu primeiro compromisso com a sociedade, sua responsabilidade é preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família, no trabalho, na vida social, cultural e política.

Como toda profissão, o magistério é um ato político porque se realiza no contexto das relações sociais onde se manifestam os interesses das classes sociais. Com isso vemos a necessidade de uma sólida preparação profissional face às exigências colocadas pelo trabalho docente, esta é tarefa básica do curso de habilitação em licenciatura.

Há um grande abismo entre a formação do professor e sua prática, o currículo de formação do professor pode ser chamado de científico, mas não o preparam para o chamado currículo escolar, os conteúdos de atuação na escola, esses fatos estão claros nos cursos de licenciatura e na análise da prática docente cotidiana.

As questões de caráter teórico, os estudos de várias formas de pensar e de ensinar ficam relegados a um segundo plano, levando a crença de que existe uma dicotomia entre o cidadão, o pesquisador e o professor. Ao cidadão cabe vivenciar as mudanças sociais, políticas e econômicas, ao pesquisador elaborar o conhecimento científico e ao professor repassar junto aos alunos as elaborações teóricas previamente construídas sem um aprofundamento nas questões referentes ao método.

KAERCHER (2003) diz que as categorias geográficas de lugar, paisagens, território, bem como a observação, a descrição e a análise dos mesmos, devem ser ensinados tendo em vista que essa ciência permite compreender a dinâmica do espaço social contemporâneo, qualquer que seja a escala da análise. Dessa maneira as reflexões atinentes ao processo educacional em especial ao papel da geografia, proporcionam uma melhoria da qualidade de ensino, essenciais para a construção da cidadania plena na sociedade brasileira.

Assim, mudanças significativas na formação inicial, nos programas de ensino, nas políticas educacionais poderão levar a uma nova imagem desse profissional, e da importância da Geografia para uma leitura e interpretação crítica do mundo.

Em um momento em que ocorrem grandes transformações nas relações humanas, culturais, econômicas, políticas, o caráter complexo da geografia e a sua presença nas instituições escolares, devem desencadear novos olhares sobre a formação inicial do professor, buscando alternativas que rompam com a homogeneização da formação docente, possibilitando uma intervenção significativa na sociedade.

A busca pela melhoria da qualidade do ensino deve ser uma constante na vida dos educadores. Partindo desta concepção, entende-se que repensar a ação docente é um desafio cotidiano, principalmente quando se almeja formar um aluno cidadão, consciente, crítico, ético, criativo e atuante na sociedade em que vive. Esse desafio se intensifica diante das rápidas e profundas transformações nos mais variados setores da vida contemporânea, acentuadas com a terceira Revolução Técnico-Científica, acelerando a produção e disseminação de novos produtos e informações.

A docência, por excelência, é uma atividade profissional de alta responsabilidade técnica, política e social, pressupondo-se, portanto, que a formação do educador requer compromisso e competência.

Segundo PERRENOUD (1999), constitui-se fato observável e não raramente freqüente, a denúncia de que os cursos de licenciatura não incluem satisfatoriamente, entre seus elementos de estudo, os problemas das escolas públicas do ensino fundamental e médio, ou seja, a relação ensino e pesquisa nem sempre privilegia a relação teoria e prática. Isto significa que o confronto entre a realidade e a consciência, entre o mundo e a percepção do mundo, entre o quê, o como e o porquê ensinar, entre o agir e o pensar, não se dão de maneira permanente, não configurando a verdadeira práxis humana reflexiva-crítica, analítica, avaliativa.

Apesar dos esforços provenientes do debate das tendências de renovação na Geografia, contrapondo os paradigmas da Geografia Tradicional e Quantitativa com a Geografia Crítica, buscando repensar as relações sociais e entre sociedade e natureza, procurando entendê-las sob uma visão dialética, é preciso ressaltar que a visão e prática clássica, pragmática e positivista não acabou, e continua ainda muito forte. Sinal de sua resistência é que continua como disciplina fundamental dos currículos escolares ou como subsídio do planejamento estatal, configurando-se como instrumento de pensamento, trabalho e ação de muitos profissionais. Muitos professores ainda estão atrasados, não fazem com que o aluno pense, reflita simplesmente os alunos acabam decorando os conteúdos e no dia seguinte já não se lembram mais.  

O conteúdo da geografia escolar tem sido na atualidade o de descrever alguns lugares e problemas, não conseguindo dar conta de pensar o espaço, visto que segundo CALLAI (1999, p.68), “pensar o espaço supõe dar ao aluno condições de construir um instrumento tal que seja capaz de permitir-lhe buscar e organizar informações para refletir em cima delas.” Não apenas para entender determinado conteúdo, mas para usá-lo como possibilidade de construir a sua cidadania.

O que se pretende fundamentar é que tal prática da geografia escolar, que ainda ocorre na atualidade, tem muito a ver com a própria historicidade da ciência bem como da própria formação que se tem nas universidades. O problema perpassa desde sua crise epistemológica, evidenciada na clássica divisão entre Geografia Humana e Geografia Física até as dicotomias entre Teoria X Prática, Conteúdo Específico X Conteúdo Pedagógico, Ensino X Pesquisa, Ensino Superior X Ensino Fundamental e Médio.

Esta preocupação quanto à formação do professor, particularmente o de Geografia, é pertinente porque dicotomias continuam a persistir no meio educacional, produzindo lacunas deficitárias e que podem corroborar para a manutenção de uma sociedade injusta, desigual e aviltante dos direitos mais essenciais e também porque “basta consultar a bibliografia sobre o ensino de geografia para perceber que nessa vasta quantidade de artigos e livros fala-se de epistemologia da geografia, das ideologias adjacentes a conteúdos, assim como das leituras da realidade a partir de diferentes posicionamentos políticos, mas raramente se fala sobre o ensino de geografia”. (PEREIRA, 1996, p.49).

Para tanto, se faz necessária à busca de caminhos que apontem para o rompimento das dicotomias que tão perversamente continuam a se perpetuar no meio educacional, particularmente as que se referem à formação do professor.

            Na formação de um professor de Geografia é necessário e de grande importância os fundamentos teóricos, a história da formação da ciência (geografia), as formas possíveis de investigação, os instrumentos adequados e a forma de considerar e organizar as informações.

            CALLAI (2002, p.255) afirma que “qualquer reflexão sobre a formação dos profissionais de educação, entendo que tenham claros dois aspectos: o significado do que é professor e do que é fundamental que se ciência (disciplina/matéria) que ele trabalha.”.

            Tomando-se a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seu titulo VI que trata “Dos Profissionais da Educação”, artigo 61, está definido que a formação dos profissionais de educação, de modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e as características de cada fase do desenvolvimento do educando, terá como fundamentos:

            I - A associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço;

            II - Aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e outras atividades.

            Um curso de formação de professores não pode se restringir a treinar para passar somente o conteúdo, mas em certas situações isso ocorre e muito, mas há também uma grande necessidade de cumprir com o conteúdo programado para o ano letivo.

            Porém é fundamental que se reflita sobre o perfil do professor, especificamente sobre a sua formação, queremos ter profissionais da educação capacitados e que provoque no aluno, levando-o a querer aprender cada vez mais, tomando o gosto do saber, do conhecimento.

            O ensino deve pressupor a construção de uma postura crítica diante da realidade em que está inserida.   

            Segundo SOUZA (2002, p.262):

A geografia como uma disciplina capaz de dar conta da totalidade ao tomar como categoria de análise o “espaço”, a grande verdade é que, no âmbito de disciplina, não chegamos a resolver nossos problemas básicos e continuamos a fazer uma Geografia dicotomizada, não só considerada a clássica dicotomia homem/natureza, mas também no contexto dos conteúdos e formas de análise das questões naturais ou sociais em si   mesmas.

           

            Sobre a formação de professores indicam que os alunos de graduação devem ser formados para se tornarem componentes em sua área de trabalho, autônomos, críticos, reflexivos, investigadores e inovadores.

            Além de dominar o conhecimento específico, deve entender o significado social de sua profissão, saber atuar com flexibilidade, criatividade e cooperação em atividades de grupo, sempre tem que estar se atualizando.

            Para que se forme um bom professor o estágio constitui uma das atividades mais ricas da licenciatura, justamente por possibilitar que o acadêmico se depare com situações que solicitam aprofundamento teórico, comunicação com pessoas em diferentes níveis, questionamento dos planos estabelecidos.

            Consideramos assim a disciplina Prática de Ensino de Geografia fundamental para a formação docente no ensino de geografia;

            OLIVEIRA (2002, p.279) diz que:

           

            Acreditamos que uma prática de ensino que seja realmente sólida deva englobar não   só o     maior número possível de vivências específicas da sala de aula como também as tarefas        relacionadas a ela e que se manifestam, de forma plena, durante o desenrolar       de todo um      período letivo.

           

            Concomitantemente as leituras e discussões realizadas nas aulas teóricas, o estagiário acompanhará a prática dos docentes do colégio de aplicação, o que permitirá o desenvolvimento de observações criticas e a reflexão sobre a prática pedagógica, que poderão potencializar o debate sobre o processo ensino-apendizagem e a relação professor-aluno.    

            VESENTINI (2002, p.239) diz que “o curso superior de geografia não deveria enfatizar essa diferença entre bacharelado e licenciatura e muito menos subestimar a formação do professor, formar especialista é função dos cursos de pós-graduação e não de graduação.”

            Então para uma boa formação de docentes é necessário que se tenha um curso básico, mais amplo que contemple as diversas áreas e tendências da ciência geográfica, que esteja voltado para desenvolver nos alunos a capacidade de “aprender a aprender”, que acompanhe os novos temas, novas idéias, com um domínio mínimo de técnicas de pesquisa e ter capacidade própria e iniciativas no seu meio de trabalho e vida pessoal.

            O tema da formação profissional em Geografia deve levar em conta as transformações pelas qual o mundo tem passado transformações essas que são econômicas, políticas, sociais, espaciais, éticas, que provocam alterações no que diz respeito ao mundo do trabalho e da formação do geógrafo e que afetam a formação profissional, as escolas, a identidade dos profissionais. A formação do profissional em Geografia é a formação do planejador, do pesquisador, do professor de ensino fundamental e médio, do professor universitário, e de antemão se afirma que a formação do geógrafo, do professor, do pesquisador não pode ser discutida separadamente, ainda que na prática essa formação se realize em momentos e instâncias diferentes.

            Para CAVALCANTI (2002, p.102):

 

As atividades profissionais têm sido assim, ampliadas, e se tornado mais complexas, para atender as necessidades da sociedade atual. Esse contexto incide sobre a formação dos geógrafos, que tem sido chamado a desempenhar tarefas que vão além das  mais tradicionais, como planejamento, o mapeamento de recursos naturais, o zoneamento ecológico e o ensino.

           

            Diante dessa ampliação da atuação profissional, a formação do geógrafo é pensada em torno da natureza de sua vinculação ao mercado de trabalho.

           

 

Ainda segundo CAVALCANTI (2002, p.103):

 

Por entender que a universidade, a formação universitária, tem um compromisso com a qualidade da formação, que implica a busca do saber inédito e de sua referencia com o tradicional para a sociedade. As propostas de formação do profissional em Geografia articulam-se, nessa posição, com a compreensão de sua relevância social, essa relevância está na sua possibilidade de pensar, fazer e ensinar a partir de uma determinada maneira de analisar a realidade social total.

           

            O geógrafo é um profissional que tem relevância social quando domina o conjunto de preposição teórica e metodológicas de sua disciplina, quando detém as informações e conhecimentos por ela produzidos e suas finalidades políticas e sociais. Há um intenso debate hoje sobre políticas públicas referentes à formação de professores, sabemos que uma série de ações, de implementações de projetos, de encaminhamento e aprovação de legislações, tem afetado bastante o mundo da educação brasileira nos últimos anos.

            Se referindo então aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) aos provões, ao Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) ao Sistema de Avaliação de Ensino Básico (SAEB) as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) aos institutos superiores de educação. O mundo de hoje exige, de fato, novas formas de preparação para se viver e trabalhar.

            Há certa consciência, por parte das instituições formadoras, de deficiências do atual modelo de formação de professores de áreas especializadas, mas parece fixar uma idéia de que essa formação é de responsabilidade exclusiva das faculdades de educação.

            CAVALCANTI (2002, p.105) diz que:

 

A preocupação é maior quando se percebem que nos fóruns de educação o objeto privilegiado da discussão é a formação dos professores da primeira fase do ensino fundamental, aqueles formados no curso de Pedagogia ou em cursos de Magistério. Então em que fórum deve discutir a formação do professor de geografia?

 

            O profissional que domina criticamente o campo da Geografia domina a reflexão de suas finalidades sociopolíticas e o modo peculiar de constituição de campo. Para essa atuação profissional exigida na atualidade não se podem adiar importantes modificações nos currículos e nas metodologias de forma inicial em Geografia.

            Os cursos universitários precisam assumir a formação profissional em todas as modalidades, desde o início do curso, não admitindo mais soluções simplistas de reformas de grade curricular de acréscimo de conteúdo.

            Para CAVALCANTI, (2002, p.110.):

 

A atuação do profissional exige uma formação que dê conta da construção e reconstrução dos conhecimentos geográficos fundamentais e de seu significado social, não basta o professor ter o domínio da matéria, é necessário tomar posições sobre as finalidades sociais da Geografia numa determinada proposta de trabalho, é preciso que o professor saiba pensar criticamente a realidade social e que se coloque como sujeito transformador dessa realidade.

 

            O professor tem importantes tarefas a cumprir e sua formação deveria estar voltada para isso, como a formação enquanto processo de auto-formação, a necessidade de uma formação contínua, uma formação crítico-reflexivo, a construção da identidade profissional como elemento dessa formação.

            O trabalho de formação profissional é o de formar sujeitos pensantes e críticos, cidadãos que desenvolvem competências e habilidades do modo de pensar geográfico, internalizar os métodos e procedimentos de captar a realidade, ter uma consciência da espacialidade das coisas, dos fenômenos. 

O profissional que domina criticamente o campo da Geografia domina a reflexão de suas finalidades sociopolíticas e o modo peculiar de constituição de campo. Para essa atuação profissional exigida na atualidade não se podem adiar importantes modificações nos currículos e nas metodologias de forma inicial em Geografia.

            Os cursos universitários precisam assumir a formação profissional em todas as modalidades, desde o início do curso, não admitindo mais soluções simplistas de reformas de grade curricular de acréscimo de conteúdo.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

Há um grande abismo entre a formação do professor e sua prática, o currículo de formação do professor pode ser chamado de científico, mas não o preparam para o chamado currículo escolar, ou seja, para os conteúdos de atuação na escola, esses fatos estão claros nos cursos de licenciatura e na análise da prática docente cotidiana.

A busca pela melhoria da qualidade do ensino deve ser uma constante na vida dos educadores. Partindo desta concepção, entende-se que repensar a ação docente é um desafio cotidiano, principalmente quando se almeja formar um aluno cidadão, consciente, crítico, ético, criativo e atuante na sociedade em que vive.

Esse desafio se intensifica diante das rápidas e profundas transformações nos mais variados setores da vida contemporânea, acentuadas com a terceira Revolução Técnico-Científica, acelerando a produção e disseminação de novos produtos e informações.

Além de dominar o conhecimento específico, deve entender o significado social de sua profissão, saber atuar com flexibilidade, criatividade e cooperação em atividades de grupo, sempre tem que estar se atualizando.

            Para que se forme um bom professor, é relevante também pensar no estágio, sendo este significativamente importante, é uma ferramenta que se constitui em uma das atividades mais ricas da licenciatura, justamente por possibilitar que o acadêmico se depare com situações que solicitam aprofundamento teórico, comunicação com pessoas em diferentes níveis, questionamento dos planos estabelecidos.

O profissional que domina criticamente o campo da Geografia domina a reflexão de suas finalidades sociopolíticas e o modo peculiar de constituição de campo. Para essa atuação profissional exigida na atualidade não se podem adiar importantes modificações nos currículos e nas metodologias de formação inicial em Geografia, enriquecendo e melhorando a formação dos profissionais da educação.

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

CALLAI, Helena Copetti. Formação do Professor de Geografia. In: Pontuschka, Nidia Nacib; Oliveira, Ariovaldo Umbelino de.Geografia em Perspectiva, São Paulo : Contexto,2002  p.255-259.

 

CAVALCANTI, Lana de Souza. Geografia e Prática de Ensino. Goiânia: Alternativa, 2002 p.101-120.

 

 

KAERCHER, Nestor André. Geografizando o jornal  e outros cotidianos: práticas em Geografia para além do livro didático. In. CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos. Ensino de Geografia: práticas e textualizações no cotidiano.Porto Alegre:2003. p.138-142.

 

 

LIBANEO, José Carlos. Reflexidade e formação de professores: outra oscilação do pensamento pedagógico brasileiro? In:PIMENTA, Selma Garrido; GHEDIN, Evandro. Professor reflexivo no Brasil:gênese e crítica de um conceito. São Paulo:Cortez,2002.p.53-77.

 

 

SOUZA, Álvaro José. Formação do Professor de Geografia. In: Pontuschka, Nidia Nacib; Oliveira, Ariovaldo Umbelino de. Geografia em Perspectiva, São Paulo: Contexto, 2002 p.262.

 

 

OLIVEIRA, César Alvarez campos de. Formação do Professor de Geografia. In: Pontuschka, Nidia Nacib; Oliveira, Ariovaldo Umbelino de. Geografia em Perspectiva, São Paulo: Contexto, 2002 p.279.

 

 

PEREIRA, Diamantino. Geografia escolar: uma questão de identidade. Cadernos CEDES. v. 39,  p. 47-56, dez. 1996.

 

PERRENOUD, Fhilippe. Saber refletir sobre a própria prática, objetivo central da formação de professores? Local: editora, 1999

 

VESENTINI, José Willian. Formação do Professor de Geografia. In: PONTUSCHKA, Nidia Nacib; OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino de. Geografia em Perspectiva. São Paulo: Contexto, 2002 p.235-240.